Especialista em programas de saúde mental e bem-estar corporativo, Carla Chaves Santos construiu uma trajetória onde técnica encontra cuidado. Seu trabalho com militares na Marinha e com populações vulneráveis se destaca como referência na transformação cultural das organizações e redefine o papel da saúde mental nas instituições brasileiras.

Certificação e bem-estar: a nova era da saúde mental nas empresas
Seis meses após a vigência da Lei 14.831/2024 e ações de atualização da NR-01, cresce a busca por especialistas capazes de traduzir o novo marco regulatório em práticas efetivas. A Lei 14.831/2024 cria um selo nacional que reconhece empresas como “Promotoras da Saúde Mental” caso implementem políticas claras de cuidado com a saúde psicossocial dos trabalhadores.
A lei tem três pilares: promoção da saúde mental, foco no bem-estar dos trabalhadores e transparência/prestação de contas. O tema da referida lei se alinha à NR-01, sobretudo considerando que a atualização da Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho exige inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos das empresas, sendo visto com mais um desafio para as organizações.
Nesse cenário, destaca-se Carla Chaves Santos, cuja trajetória une rigor técnico, ação humanitária e experiência em ambientes de alta criticidade.
Uma história marcada por cuidado, enfrentamento e compromisso com vidas
A trajetória de Carla Chaves Santos nasce muito antes das diretrizes que hoje orientam a saúde mental organizacional no país. Formada pela PUC-Rio, ela construiu sua carreira em territórios de extrema vulnerabilidade (instituições sociais, unidades de saúde pública, abrigos, maternidades e, mais tarde, organizações militares). De 2009 a 2015, atuou no atendimento direto a idosos institucionalizados, famílias em pobreza extrema, mulheres vítimas de violência, desabrigados e pacientes hospitalizados sem apoio social. Ali, moldou uma visão humanizada, técnica e profundamente ética sobre sofrimento psíquico, fragilidade e reconstrução.
Antes de liderar equipes, criar protocolos ou influenciar políticas de saúde mental, Carla aprendeu, na prática, o que significa olhar nos olhos de alguém que sofre. Sua missão se consolidou na escuta ativa, na mediação de conflitos e na prevenção de danos emocionais severos, incluindo casos de depressão, risco suicida, violação de direitos e rupturas familiares. Desde o início, Carla encarou o trabalho social não como protocolo, mas como intervenção transformadora, capaz de alterar realidades inteiras.
Foram anos atuando onde o Estado falha, onde a dor é silenciosa e onde a escuta qualificada pode ser a diferença entre desespero e recomeço. Ali, Carla entendeu algo que guiaria toda a sua vida profissional: cuidar de pessoas é um chamado, não uma função.
Da assistência social à alta gestão militar
Em 2015, sua carreira deu um passo decisivo ao ingressar na Marinha do Brasil como Segundo-Tenente. Após ser promovida a Primeiro-Tenente, atuou como assistente social e em 2020 assumiu como chefe do Núcleo de Assistência Social (NAS) em Vila Velha (ES).
Sua missão mudou de escala, mas não de essência. Durante sete anos, em um contexto de alta disciplina, risco, pressão e sigilo institucional, Carla liderou programas estratégicos em um dos ambientes institucionais mais rigorosos e sensíveis do setor público federal.

À frente de uma unidade multiprofissional, executou diagnósticos biopsicossociais, estruturou programas de prevenção ao suicídio, criou fluxos de atendimento, realizou grupos terapêuticos, mediou conflitos familiares e institucionais, elaborou relatórios estratégicos e desenvolveu políticas preventivas adotadas em toda a organização.
Carla liderou programas que tocavam o que há de mais sensível na vida humana: saúde mental, família, luto, dignidade e propósito. Ao longo da carreira, ela idealizou e liderou projetos que se tornaram referência nacional.

Dentro da Marinha do Brasil, Carla liderou o Projeto Vida Ativa para Veteranos, inserido no Programa de Atendimento ao Idoso, oferecido a militares da reserva remunerada ou reformados, servidores civis inativos, respectivos cônjuges e pensionistas, com idade igual ou superior a 60 anos.
Com o trabalho e dedicação de grandes profissionais da Marinha do Brasil, como Carla, o projeto promoveu a qualidade de vida e saúde, e influenciou os veteranos a manterem sua autonomia e o seu desenvolvimento físico e intelectual. Outro detalhe importante na liderança de Carla sobre esse projeto é que ela compilou os dados e transformou em uma inédita pesquisa acadêmica, apresentada em um importante congresso internacional. O projeto mudou vidas, resgatou histórias e reaproximou famílias.

Com uma metodologia própria que reduziu a inadimplência dos militares e melhorou significativamente o clima organizacional dentro das unidades da Marinha, Carla liderou o Projeto de Prevenção ao Endividamento Militar. Esse programa transformou um tema tabu em educação, planejamento, autonomia e preveniu crises emocionais ligadas a problemas financeiros.
Outro programa encabeçado por Carla foi oProjeto de Prevenção ao Suicídio e Fortalecimento da Saúde Mental. Com toda sua habilidade técnica, ela criou fluxos, metodologias e rotinas institucionais que contribuíram para a saúde de famílias inteiras. Planejou e executou ações contínuas que diminuíram crises emocionais graves e ampliaram a busca voluntária por apoio.
Ainda na Marinha do Brasil, ela liderou ações que reconstruíram vínculos familiares, resgataram autoestima e ofereceram a dezenas de pessoas a possibilidade de retomar a própria história. O Projeto de Reinserção de Dependentes Químicos foi um trabalho que ultrapassou a técnica ao devolver dignidade, pertencimento e futuro. E, ainda, esteve à frente de projetos de fortalecimento do clima organizacional, que incluíram oficinas, palestras e espaços estruturados de diálogo, resultando em equipes mais coesas, ambientes mais saudáveis e relações institucionais mais humanas.

No Hospital Municipal Pedro II, um dos hospitais mais antigos do Rio de janeiro, Carla liderou o projeto de Humanização e Apoio a Gestantes em Vulnerabilidade. Sua atuação garantiu proteção integral a recém-nascidos vulneráveis, orientando mães em situações de risco. Nesse projeto, Carla esteve em articulação com Ministério Público e Conselho Tutelar para garantir a segurança de recém-nascidos.
Relembrando seus desafios, Carla conta que, em 2020, quando o emocional de toda a população estava em colapso, assumiu um dos papéis mais desafiadores de sua trajetória: coordenar um polo de vacinação da Covid-19 para milhares de pessoas, harmonizando ciência, logística, acolhimento e coragem. Essa experiência lhe rendeu Menção Honrosa da Prefeitura de Vila Velha. Sua atuação foi reconhecida por coragem, excelência técnica e capacidade de decisão sob pressão.
“Fizemos um drive-thru para podermos ver os idosos. Nem que fosse dentro dos carros mesmo. Só queríamos saber se eles estavam bem. Sabíamos que aquele contato era importante. Mesmo sem poder dar um afago ou um abraço, queríamos, pelo menos, olhar nos olhinhos deles e falar: Isso vai passar, fique em casa. A gente torce por você”, relembra Carla.

Cada uma dessas iniciativas não apenas solucionou problemas: produziu transformação real e duradoura na vida de pessoas e instituições. Seu legado não está somente nos programas que liderou, mas também na capacidade de transformar conhecimento em soluções replicáveis, humanas e eficazes. Depois de anos mudando vidas e instituições por dentro, Carla segue empenhada em construir ambientes mais seguros, saudáveis e preparados para os desafios emocionais da nova economia.
Relevância e legado
Reunindo ciência, gestão, inteligência emocional e impacto institucional, Carla Chaves construiu uma carreira que ultrapassa cargos e fronteiras. Agora, com a experiência acumulada em unidades militares, hospitais, programas nacionais e ações estratégicas de prevenção, ela está se aprimorando em metodologias de saúde mental, compliance emocional e prevenção de riscos psicossociais para organizações que buscam maturidade, segurança e performance sustentável.
Afinal, muito antes das diretrizes legais e atualizações legislativas vigentes, Carla já atuava com foco em melhorar a qualidade de vida e elevar a saúde psicossocial de outros profissionais, tanto do serviço público como privado. O olhar de profissionais como Carla torna-se central, pois conhecem o território, sabem lidar com risco psicossocial e dominam a articulação entre saúde mental, gestão de pessoas, políticas públicas e compliance.
O legado de Carla, construído ao longo de mais de uma década de atuação intensa, ética e transformadora, está no equilíbrio raro entre técnica, sensibilidade e liderança. Carla Chaves Santos representa a nova geração de especialistas que unem ciência, responsabilidade social, governança e cuidado humano. E, quando o país exige políticas sérias, transparentes e preventivas, sua trajetória é exemplo, referência e caminho.









