Lançada no meio da pandemia, startup dobra de tamanho e ganha novos clientes

Em 2018, depois de 15 anos de atuação na área de medicina preventiva, Mauro Silva Jr. decidiu que era hora de buscar novos ares e encontrar a solução para um problema que viveu de perto. Médico por formação, viu o hábito que o brasileiro tem de buscar tratamento depois que as doenças se manifestam. Foi a partir dessa experiência que ele fundou, em março de 2020, a Truvio, healthtech que dobrou de tamanho em plena pandemia. 

“A maior motivação que tive foi a relação direta com o paciente. A medicina preventiva nunca foi valorizada no Brasil, e as pessoas costumam buscar ajuda depois que o problema se agrava. Durante muito tempo, acompanhei doentes que já não tinham chances de cura, muitas vezes por condições que poderiam ter sido evitadas”, comenta Mauro Silva Jr. 

Em meados de 2018, com a visão que adquiriu na área médica, começou a idealizar o que hoje é a Truvio, uma startup focada em identificar futuros doentes crônicos por meio da Inteligência Artificial. 

Na prática, o sistema desenvolvido por Mauro com a ajuda de outros dois sócios consiste em uma plataforma de Inteligência Artificial alimentada por meio de dados coletados das pessoas (são utilizados questionários). 

A partir dessas informações, é possível identificar quem pode desenvolver doenças mais graves e auxiliar na prevenção. A ideia é expandir esse serviço para a população no geral, mas, hoje, somente clientes com perfil PJ podem contratar a solução. 

“Conseguimos, por exemplo, descobrir se alguém pode desenvolver diabetes e outras comorbidades por meio dos hábitos alimentares. Contamos com uma equipe de médicos, nutricionistas e psicólogos que auxiliam neste processo, inclusive no atendimento”, comenta. 

Além disso, ao cuidar da saúde dos colaboradores de forma preventiva, as empresas têm conseguido contingenciar os gastos com planos de saúde, uma vez que os reajustes são calculados com base na utilização do último ano e no tipo de atendimento usado. 

 “Quando os funcionários utilizam menos o serviço de pronto atendimento, que é mais caro, os custos da operadora de saúde são menores, o que pode ajudar em uma renegociação com preços mais atrativos para o ano seguinte”, explica. 

 Por outro lado, ele destaca que a plataforma também tem ajudado no aumento da produtividade, na redução de ausências no trabalho, além da questão dos custos e da Covid-19.

 “O mesmo conceito da plataforma é utilizado nos casos de coronavírus, nos quais os colaboradores preenchem diariamente um questionário que avalia sinais da doença e ajuda na prevenção ao contágio.”

Planos de expansão

 Depois de um 2020 cercado de incertezas, a empresa, que foi lançada no mesmo mês em que a pandemia foi decretada, comemora os resultados alcançados. 

 Em outubro do ano passado, a empresa foi selecionada para fazer parte do Eretz.bio, programa de incubação de startups de saúde do hospital Albert Einstein, e viu o número de colaboradores sair de quatro para dez no primeiro semestre de 2021.

 Por outro lado, a startup, que passou a atender a novos clientes, também teve um aumento de 400% no faturamento em 2020 e chegou a R$ 1,8 milhão. Este ano, a previsão é que esse volume chegue a R$ 7,5 milhões.  

 Para 2021, Mauro conta que a meta é reforçar o core business, já que as operadoras de saúde foram autorizadas a reajustar os preços dos planos depois do congelamento de 2020. 

 “Hoje, além de ajudar a saúde das pessoas, temos conseguido contingenciar os aumentos com as operadoras. Com os próximos aumentos, a tendência é que o nosso papel siga ainda mais relevante no mercado”, finaliza.

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