A recente pesquisa da Ticket com trabalhadores de diversos setores descobriu que a produtividade no trabalho depende de fatores que vão além do salário oferecido. Na verdade, o principal critério apontado pelos participantes foi um ambiente de trabalho respeitoso.
Normalmente, eu esperaria encontrar respostas mais alinhadas com “salários mais altos” ou benefícios corporativos ligados a incentivos financeiros, como bônus por metas batidas ou comissões mais atraentes.
Os resultados, porém, foram uma surpresa, já que quase 70% dos 4.037 trabalhadores de setores como indústria, varejo, educação e serviços, entrevistados entre março e abril de 2026, relataram priorizar o respeito.
Além disso, a pesquisa apontou outros fatores totalmente diferentes do esperado, como os que eu comento neste artigo. Continue a leitura para conferir mais detalhes da pesquisa sobre bem-estar de 2026 e entenda o que motiva os trabalhadores brasileiros na prática.
O que eu esperava encontrar na pesquisa sobre bem-estar de 2026?
Como resultados da pesquisa, esperava dados alinhados a outros levantamentos sobre benefícios corporativos, que costumam apontar adicionais financeiros (como bônus acordado) no topo da lista de prioridades dos profissionais ao avaliar uma oportunidade de trabalho. Portanto, ver que 69% dos entrevistados colocaram o respeito acima da remuneração foi uma surpresa.
Ao mesmo tempo, o resultado faz total sentido com o cenário atual, no qual a atualização da NR-1 passou a valer e as empresas já precisam se mostrar adaptadas para gerenciar não apenas os riscos físicos, mas também os psicossociais.
Além disso, a saúde mental e, consequentemente, o bem-estar, nunca estiveram tão em alta ou tiveram tanto impacto na produtividade. Só em 2025, por exemplo, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados por problemas relacionados à saúde mental: o maior índice em uma década, segundo dados compartilhados pelo G1.
Nesse cenário, os dados sobre o ambiente de trabalho da nossa pesquisa servem como um guia que pode ajudar as empresas a minimizarem as perdas e aumentarem sua capacidade produtiva com estratégia.
O que motiva os trabalhadores brasileiros de verdade?
Além do respeito, outros fatores apontados pelos participantes da pesquisa como essenciais para que se sintam mais motivados com o trabalho são:
- ter acesso a uma alimentação de qualidade, para 60% dos entrevistados;
- passar menos tempo se deslocando entre casa e trabalho, para 47%;
- ter pausas frequentes ao longo da jornada, para 38%;
- conseguir manter o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, para 30%.
Esses elementos foram mostrados na pesquisa da Ticket e os dados revelaram aspectos interessantes sobre o ambiente de trabalho, como você confere a seguir.
O que os dados sobre o ambiente de trabalho revelaram?
Esses dados indicam que a produtividade depende de um conjunto de fatores que precisam funcionar como uma máquina bem oleada para trazer resultados concretos, desde lideranças que facilitam o trabalho (e não controlam cada passo dado na empresa) até o alinhamento adequado de demandas para ditar as expectativas.
Outro ponto revelado pela pesquisa é que a criação de relacionamentos profissionais saudáveis, pautados em uma comunicação transparente entre pares e líderes, é essencial para o bem-estar e para a produtividade.
Além disso, o apoio corporativo para manter o balanço entre vida profissional e pessoal contribui para aumentar o engajamento e reduzir os riscos psicossociais, como estresse, cansaço e sobrecarga.
A pesquisa da Ticket muda o que pensavámos sobre a rotina corporativa. Entenda as principais alterações que as empresas devem fazer.
O que o resultado da pesquisa sobre produtividade no trabalho muda no dia a dia das empresas?
A principal mudança é ver as estratégias de valorização dos trabalhadores como um espectro amplo, que vai além de oferecer uma remuneração competitiva. Na verdade, o ideal é que promova a integração entre um ambiente corporativo mais leve e flexível, uma boa qualidade de vida e condições de mantê-los balanceados.
Nesse cenário, as organizações, independentemente de segmento ou porte, podem se deparar com desafios únicos que precisam ser superados para garantir não apenas o alinhamento com a nova NR-1, mas também melhores resultados no dia a dia.
O principal deles é definir o que é um ambiente respeitoso na sua realidade. Adicionalmente, os negócios precisam desenvolver e aplicar estratégias que consigam transformar o desejo (mais respeito no trabalho) em realidade.
Vale destacar que os esforços para alcançar esse tipo de resultado devem ser constantes, compartilhados entre todos os colaboradores da empresa e alinhados a uma política de benefícios sólida e transparente.
Afinal, os adicionais podem ser usados para criar um ambiente de trabalho mais respeitoso e leve. Isso porque mostram que a empresa valoriza seus profissionais e, por isso, procura oferecer melhores condições no dia a dia, além de ajudar a equilibrar vida profissional e pessoal.
Os benefícios que contribuem para o bem-estar, como vale-alimentação e auxílio-mobilidade, também podem ajudar na busca por produtividade.
Em todo caso, é hora de colocar a mão na massa e agir. Afinal, o período de adaptação à atualização da NR-1 acabou e as fiscalizações logo começarão.
O que eu, Tatiana Romero, da Edenred, recomendo aos líderes a partir de agora?
Minha principal recomendação é que as empresas deixem de ver a adequação à atualização da NR-1 como uma mera agenda acessória que visa reduzir os riscos de autuações e multas. Na verdade, devem considerar o potencial estratégico que a gestão dos riscos psicossociais oferece para as corporações.
Mais precisamente, trata-se de favorecer a criação de uma equipe não apenas mais saudável, mas também mais engajada e, consequentemente, produtiva.
Para isso, vale a pena investir em processos mais estruturados, nos quais os riscos e oportunidades são monitorados de perto.
Essa estruturação envolve pesquisas de mercado e de opinião com os colaboradores, mapeamento dos processos e benefícios atuais, testes frequentes para entender o que funciona ou não e, principalmente, ajustes constantes para encontrar o equilíbrio entre as ações.
Além disso, o RH deve atuar lado a lado com a liderança para promover uma mudança estrutural na cultura organizacional, colocando o foco no cuidado com as pessoas, e para alinhar a oferta de benefícios às necessidades reais da equipe.
Dessa maneira, podemos promover um ambiente com relações pautadas no respeito mútuo, na busca pelo bem-estar e na sustentabilidade, garantindo a produtividade e a retenção dos melhores talentos.








